Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 2 dias
O HABEAS DATA DESTE DOMINGO ENTREVISTA A DRA. GREICE CARNEIRO, ADVOGADA, MESTRE EM DIREITO PELO CESUPA, ESPECIALISTA EM DIREITO À SAUDE, QUE VAI FALAR SOBRE O TEMA DIREITO À SAÚDE NA ATUALIDADE.

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:04Olá, eu sou Raul Ferraz e você está assistindo o videocast Abias Data no portal de Oliberal,
00:11o maior veículo de comunicação do Norte do Brasil. Hoje nós temos a honra de entrevistar
00:17a doutora Grace Carneiro, advogada, mestre em Direito pelo Sesupa, especialista em Direito
00:24à Saúde, que vai falar sobre o tema Direito à Saúde na atualidade. Olá, doutora Grace,
00:30tudo bem? É um prazer tê-la aqui. Olá, tudo bem? Gostaria de agradecer, primeiramente,
00:37a presença, a participação do programa. Eu que agradeço. É um tema muito importante
00:42para a sociedade e eu estou muito feliz em estar aqui com você. Muito obrigado. Doutora Grace,
00:49a senhora é especialista em Direito à Saúde e esse é um tema que todos os dias a gente vê
00:55alguma coisa na mídia, nos jornais, falando sobre este assunto, principalmente sobre o desamparo,
01:04que é o enfermo, doente, o necessitado de assistência médica sofre, aí por aí, seja hospital público,
01:12particular, é patrocinado por plano de saúde, de modo que a gente sempre escuta muitas queixas.
01:19né? Então, explica pra gente o que é o Direito de Saúde e por que essa área é tão importante
01:29para o paciente. Bom, o Direito à Saúde é uma área do direito, né? Que ele trata da relação da
01:37pessoa
01:37com a saúde, com um plano de saúde ou com o SUS, né? Quando ele busca um medicamento, quando ele
01:47busca
01:48com uma cirurgia que foi negada, né? Quando ele precisa de uma medicação, que a gente chama hoje
01:53medicação off-label, que a gente tem um problema muito grande de conseguir, né?
01:59São aqueles medicamentos caros que não são ofertados pelo SUS, é isso?
02:03Exatamente.
02:04E pelos planos de saúde.
02:05Também. Então, é uma discussão muito grande que, se tiver o estudo científico, a gente consegue.
02:13Mas, mesmo na justiça, é uma luta, né? Tudo que envolve a saúde, dependendo da situação,
02:21porque eu digo que cada caso é um caso, cada processo é um processo, né?
02:27É uma mãe que está com um filho doente, é uma mãe que tem um filho autista que precisa
02:33de uma terapia, né? Cada processo é um caso recente que a gente viu outro dia um julgamento
02:38sobre isso.
02:39Exatamente.
02:40Só uma pergunta para complementar, porque eu não me lido nessa área.
02:45Direito à saúde envolve também a relação médico-paciente?
02:49Também, também.
02:50E médico-hospital, independentemente de plano de saúde?
02:54Também, também. É exatamente isso. Então, o direito à saúde é isso, é a relação
03:01da pessoa, do paciente, quando ele precisa de algo ou do SUS ou do plano de saúde.
03:11E nessa esfera, nós temos diversas leis que regulam isso, né?
03:17Sim, sim. A gente começa pela Constituição Federal, né?
03:20O artigo 196 fala que a saúde é direito de todos e dever do Estado.
03:26Não é só uma frase bonita, né? Na verdade, eu digo que é uma garantia.
03:31Ela tem que se tornar realidade, né?
03:32Tem que se tornar realidade.
03:34Então, não é só o que está ali na Constituição, aquele artigo bonitinho, né?
03:39É um artigo que garante o direito, que garante o direito para a pessoa que está precisando
03:45de algo na saúde. E, além da Constituição, a gente tem o direito do consumidor, a gente
03:53tem o direito, a ética do médico, dependendo da situação, vai envolver também.
04:01O próprio Código Civil, né?
04:02Isso. A lei dos planos de saúde.
04:05Perfeito.
04:05Se quando é paciente oncológico, a lei específica do paciente oncológico também.
04:10Então, tem várias leis que regem e eu costumo dizer que sempre começa pela Constituição Federal.
04:16Perfeito.
04:17A gente sempre milita naquelas áreas que a gente é mais, assim, digamos, vou usar um termo,
04:26apaixonado, né?
04:28Isso.
04:28E por que a senhora escolheu se especializar em direito de saúde?
04:32É por paixão? É porque passou por alguma situação que fez a senhora buscar isso como
04:42algo que interessa para a senhora lutar por essa causa? Enfim, qual é a razão?
04:49É, o direito à saúde, assim, para atuar na área, a gente tem que gostar mesmo.
04:54Tem que amar mais do que tudo, porque a gente está lidando com vidas.
04:57Quando o paciente chega comigo, principalmente o paciente oncológico, então, se ele precisa
05:04de uma medicação, se a medicação foi negada, provavelmente é porque é a última cartada
05:10dele.
05:11É exatamente isso.
05:13Então, assim, é bem, é uma área que eu me apaixonei.
05:17Mas eu comecei a atuar de uma forma mais forte mesmo porque eu tive uma situação na
05:23família.
05:23Eu tive um primo com câncer, né?
05:26Era um câncer de pulmão, primário do pulmão.
05:30E o câncer primário de pulmão, ele é sempre metastático, né?
05:35Ele já, ele começa no pulmão, mas se ele é primário, se ele começa no pulmão, ele
05:40é metastático.
05:41Então, ele já estava numa fase bem avançada.
05:43E o plano estava em carência.
05:46E aí foi quando eu consegui entrar com a ação judicial, ingressei, ingressei, eu estava
05:54desesperada.
05:55Então, eu entrei com a ação à noite, consegui todo, em um dia consegui toda a documentação
06:03que precisa, que se a gente não tiver a documentação necessária, não anda, é a
06:07mesma coisa que nada.
06:09Entrei com a ação e no outro dia, 10 horas da manhã, eu estava com a liminar.
06:12Porque, graças a Deus, o juiz foi bem, entendeu, viu que a situação era grave e eu consegui
06:18eliminar no dia seguinte.
06:20Mas eu tive, foi essa, foi, infelizmente, foi por essa situação que eu passei que me
06:26abriu os olhos, assim.
06:28Porque eu sempre gostei, sim, muito de ajudar o próximo e é uma forma de, com o meu trabalho,
06:33ajudar as pessoas.
06:34É, sem contar que, eu não sei se isso acontece, mas provavelmente sim, vamos dizer, conseguir
06:42eliminar é o primeiro passo, né.
06:45E depois vem um segundo passo que eu acho que é muito mais torturante para quem está
06:52necessitando da medicação, que é a efetividade, é o cumprimento daquela liminar.
06:59Exatamente.
06:59Porque eu creio que seja plano de saúde, seja o Estado, sempre vai querer encontrar uma
07:08forma jurídica e isso é do processo, né, do processo, do devido processo legal, agravado
07:15da decisão, mostrar que não é bem assim, enfim, cada um tem os seus argumentos.
07:19E isso pode, muitas vezes, não permitir que o paciente receba a assistência necessária
07:28dentro do tempo que, às vezes, é muito curto.
07:32E aí eu queria que a senhora falasse um pouco sobre isso.
07:34É isso mesmo.
07:36Tenho, a maioria das vezes dá certo, mas, infelizmente, a gente tem algumas situações
07:42que a gente consegue eliminar e o plano de saúde ou o Estado, se for o SUS, vem e consegue
07:50derrubar, eliminar.
07:51E aí é desesperador, para mim, né, e para o paciente.
07:55Porque é exatamente isso, conseguir eliminar a gente consegue manter até uma sentença favorável
08:02procedente no final.
08:04Mas eu digo com relação ao cumprimento da eliminar, a parte é intimada a cumprir e
08:10não cumpre, enrola, não cumpre no prazo, prefere pagar a multa, enfim, eu acho que deve
08:18ter isso também.
08:19Tem, com certeza.
08:20Eu tenho uma medicação que, por mês, ela vale quase um milhão.
08:27Então, assim, o que é mais barato para o plano?
08:29Pagar uma multa de dois mil reais do que comprar o medicamento.
08:34Porque até quando o juiz, dependendo do juiz, determina a multa, nem sempre é uma multa,
08:41às vezes é uma multa de mil reais por dia, até o limite de cem mil reais.
08:46Se a medicação é quase um milhão, o que é mais barato para o plano?
08:50A multa deveria ser, no mínimo, o valor da medicação.
08:54Exatamente.
08:55Para que pudesse fazer com que houvesse uma reação positiva.
09:01É, só que, infelizmente, a gente pede, mas não acontece.
09:06Perfeito.
09:08Doutora, quais são os principais direitos que os pacientes precisam conhecer?
09:14Porque, muitas vezes, a gente percebe que as pessoas correm atrás, correm atrás e não
09:20conseguem, porque a burocracia é muito grande.
09:23Ó, vai ali, carimba aqui, tem que autorizar lá, não sei o quê.
09:28Então, fica aquele jogo de empurra, né?
09:31Eu já passei por situações assim, ah, mas isso não é problema do hospital, é problema
09:36do plano.
09:37Ah, mas isso não é problema do plano, é problema do médico.
09:39Então, tem sempre que haver uma integração muito grande entre médico, paciente, hospital
09:47e plano, para que tudo ocorra bem, né?
09:50Sim.
09:51Então, o que é que os pacientes precisam conhecer para que ele possa agilizar o processo
09:58de atendimento em termos legais?
10:02Eu selecionei, assim, cinco direitos básicos, assim, lógico que dentro do direito à saúde
10:08existem vários N direitos, né?
10:12Mas, por exemplo, o prontuário.
10:14A gente tem muito problema do paciente conseguir o prontuário.
10:18E os pacientes têm essa dúvida, mas eu posso pedir o prontuário?
10:24Até eles mesmo, 90% acho que não pode.
10:28E é um direito do paciente.
10:29Eu digo, é um direito seu, o senhor tem que pedir, você tem que pedir o prontuário
10:36médico, né?
10:39Mas, falando em direito do paciente, o direito à informação, né?
10:45Principalmente quando é paciente com câncer, as famílias sempre me perguntam se deve falar
10:51para o paciente o que ele tem, né?
10:54É, que a maioria das vezes a família não quer falar.
10:59Tem gente que morre e não sabe do que morreu, porque a família não conta.
11:04E é um direito do paciente, é o direito à informação, saber o que ele tem.
11:09Saber o qual tratamento ele vai fazer.
11:12É, isso me parece que está um pouco ainda ligado àqueles velhos preconceitos, né?
11:18Aquele pensamento antigo, ai, mas isso é colocar uma taja.
11:23Não, tem que saber, ele tem que saber se vai morrer ou não vai morrer.
11:27Até porque eu creio que, eu estou falando por experiências familiares, quando a pessoa
11:33sabe e quer lutar, o psicológico é muito importante nisso, psicológico, o próprio espiritual,
11:43a fé, né?
11:44Cada um tem o seu modo de ver uma situação dessa, mas eu acho que é inegável o que o
11:49paciente tem que saber.
11:51Mas a família, às vezes, não quer, né?
11:53É, a família, assim, é uma das perguntas, a maioria me pergunta.
11:58Eu devo falar, eu falo o que ele tem?
12:01Ah, é uma doença ruim?
12:02Às vezes, eles mesmos não gostam de citar o nome da doença, né?
12:06E não só o câncer, existem várias outras situações.
12:09que eles sempre me perguntam se é para falar ou não, se tem que falar.
12:14E eu digo que sim, que é um direito do paciente saber, né?
12:18Saber o que ele tem, saber até mesmo se ele vai morrer.
12:24A probabilidade.
12:25A probabilidade de morte, né?
12:27Ele precisa ter conhecimento disso, né?
12:30É bem delicada a situação.
12:33E com relação a outros direitos?
12:36Direito do acompanhante, né?
12:38Ah, é outra, essa é outra discussão, né?
12:41É outra pergunta também, é outra pergunta que sempre me faz.
12:43Às vezes, quando entro em contato comigo, que já é paciente meu,
12:47é do hospital, não querer que o acompanhante entre.
12:52Às vezes, vê a pessoa, acha que a pessoa está bem, né?
12:56Assim, fisicamente, por exemplo, uma pessoa que tem um determinado tipo de doença,
13:02tu não diz que a pessoa está doente, mas parece que ele está doente.
13:06Não basta parecer, né?
13:07Não tem que parecer.
13:08E aí, às vezes, quer impedir o acompanhante, né?
13:11De ter acesso.
13:13Então, o direito...
13:15Para quais pessoas a lei garante o acompanhante?
13:18Para todo mundo que estiver acamado no hospital?
13:21Que estiver acamado, sim.
13:22É.
13:23Que estiver acamado, sim.
13:24Tem que ter um acompanhante.
13:26Por exemplo, para a quimioterapia.
13:28É importante, a lei do direito do paciente oncológico garante, né?
13:34Porque, quando a pessoa está fazendo a quimioterapia, ela pode, sim, ter uma reação.
13:37Sim.
13:38E aí, eu sempre aconselho, até mesmo algumas clínicas que me fazem contato comigo,
13:44eu sempre falo que garantir a companhia de um...
13:48Ter um acompanhante junto.
13:49A gente não sabe, independente da idade, a gente não sabe o que a medicação pode
13:53causar, né?
13:55Perfeito.
13:58E o que mais a senhora colocaria nessa lista?
14:01É sobre plano de saúde, né?
14:04Plano de saúde, da feita que ele é ativado, se eu, um exemplo, assim, bem...
14:13Sofre um acidente e tenho que fazer uma cirurgia.
14:15Uma cirurgia grave.
14:17Ativei o plano hoje.
14:19O acidente hoje à noite.
14:22Então, por mais que o plano tenha sido ativado hoje, se é uma situação de urgência
14:29e emergência, o plano é obrigado a cobrir nas 24 horas.
14:34Perfeito.
14:34O plano tem que cobrir.
14:36Não pode...
14:37Porque a gente tem que sempre prevalecer a vida, o direito à vida, né?
14:42Sim, claro.
14:43É ele que sempre vai prevalecer.
14:45E aí, o plano de saúde, ele é obrigado a atender.
14:49Que é uma situação que, muitas das vezes, dá problema.
14:51Que o plano diz.
14:53O que o plano fala?
14:54Ah, precisa de uma garantia de um valor.
14:57Que é ilegal.
14:58Os planos não podem cobrar.
15:00Né?
15:01Se é urgente e é um caso de emergência, tem que cumprir.
15:05Uma outra pergunta que, a partir daí, é muito comum acontecer.
15:12Já aconteceu comigo mesmo de chegar num hospital público, numa UPA, qualquer coisa.
15:18Aí, a atendente dizia, ah, o senhor tem plano de saúde.
15:22Por que o senhor não vai procurar seu plano de saúde?
15:25O que a senhora tem a dizer sobre isso?
15:27O SUS é para todos, né?
15:29Então, não existe isso.
15:31Ainda que a pessoa tenha plano, ela tem que ter garantia do SUS.
15:35Não é porque eu tenho plano que eu não posso procurar o poder público, o hospital público.
15:40Ela precisa ter a garantia, independente de ter plano de saúde.
15:45Perfeito.
15:45É bom saber disso, porque as pessoas, às vezes...
15:48Sim.
15:48Ah, então, a senhora tem que procurar, o senhor tem que procurar o seu plano de saúde.
15:54Porque eu estou vendo aqui que o senhor tem plano de saúde.
15:56Eu acho que o sistema deles informam, não sei.
15:58E aí, às vezes, a pessoa nem pagou o plano de saúde, né?
16:02E fica ressabiada de não ser atendido no plano de saúde.
16:09Enfim, o que é importante registrar aqui é que há uma obrigatoriedade de atendimento pelo SUS.
16:15É isso?
16:16Sim, com certeza.
16:17Perfeito.
16:18A senhora quer falar mais alguma coisa sobre esse assunto?
16:21Acho que não.
16:22Não?
16:23Tá, então vamos prosseguir aqui.
16:27Qual é o papel do advogado na defesa dos pacientes?
16:35Eu digo que o advogado tem sempre que atuar, não só no direito à saúde, mas ele sempre tem que
16:42atuar de forma preventiva.
16:45Não tem que atuar só quando o problema acontece.
16:48Sim, claro.
16:49Ele tem que atuar de forma preventiva, porque às vezes as pessoas procuram a gente quando o problema já aconteceu.
16:55É, 99,9% dos casos só procuram o advogado quando já aconteceu, quando deveria receber uma orientação prévia, não
17:05recebeu e fez de forma diferente, que vai prejudicar o seu direito.
17:09Mas, enfim, é a nossa luta diária, né?
17:12Mas, assim, o advogado atua de forma preventiva e de forma defensiva, né?
17:18No direito à saúde tem como, por exemplo, a gente fazer uma reclamação na Agência Nacional de Saúde.
17:25Ah, muito bem.
17:26Que seria, né?
17:27Que já não seria...
17:28Antes de você tentar um processo judicial, né?
17:32A reclamação na ANS, que é o que a gente chama de NIP, né?
17:35Ela dá certo, em alguns casos.
17:38É uma possibilidade, administrativamente, você procurar a ouvidoria do plano de saúde, né?
17:45Então, fazer uma reclamação na ANS é uma possibilidade.
17:49Se não der certo, que na maioria das vezes, infelizmente, não dá, aí é procurar de forma judicial, né?
17:57E essa reclamação na ANS, quando se tem tempo, tempo maior pra se fazer tudo isso, ela costuma responder ou
18:07intervir com rapidez ou demora muito?
18:10Responde.
18:11São 10 dias úteis que o plano de saúde tem pra responder, né, a ANS a partir do momento que
18:18a gente faz o protocolo da reclamação, que o paciente faz o protocolo da reclamação.
18:23Nesses casos, quando a gente, quando o paciente faz a reclamação na ANS, tem como ele juntar o laudo.
18:31Então, por isso a importância do paciente se documentar, né?
18:35É, mas aí eu pergunto o seguinte, quando a ANS recebe essa reclamação com toda a documentação, vamos admitir que
18:43foi tudo correto,
18:46ela costuma agir com rapidez pra notificar o hospital pra responder?
18:50Sim, sim.
18:52É bem rápido, é bem prático.
18:55Claro que, é igual como eu falei, depende do plano, mas a ANS, ela atua de uma forma, assim, que
19:01por ser um órgão, né,
19:03que às vezes a gente tem dificuldade, né, dependendo, mas não, a ANS, ela é bem ágil.
19:09Assim, a maioria das vezes dá certo dependendo da situação, que cada caso é um caso, né?
19:13E se numa determinada situação fica comprovado que o plano tá negando algo que é de direito do paciente?
19:21A ANS, ela interfere, multa, repreende ou faz alguma coisa contra o plano ou contra o hospital ou contra quem
19:29quer que seja?
19:30Eles são multados pela ANS, são, são. Eles são multados. Eu já ouvi, assim, que pra um plano, às vezes,
19:37é pior uma reclamação na ANS, porque a multa é alta, eles são penalizados, sim, do que uma eliminar.
19:45Então, às vezes, é melhor dependendo do caso, deixando bem claro.
19:50Cada situação tem suas peculiaridades.
19:53Se é uma coisa mais simples, algo mais simples, é mais fácil de dar certo. Agora, algo mais complexo...
19:59Não dá pra esperar 10 dias, então não adianta. Você pode até fazer a reclamação, mas tem que tomar outras
20:06providências também, né?
20:08Exatamente. Exatamente. Olha, eu tenho uma situação recente, bem recente, da semana passada, que o paciente tá internado na UTI,
20:16no hospital.
20:19E o plano foi cancelado. O plano tá numa situação financeira complicada e cancelou o plano de saúde dele.
20:27E ele tá na UTI, inconsciente. E a família recebeu um comunicado...
20:33Uma notificação.
20:34Então, eles foram, né, lá, foram notificados dizendo que ele seria transferido pro hospital público.
20:42E a família perguntou, mas mesmo na situação que ele tá, porque se tirar do jeito que ele tá, ele
20:46vai morrer, né?
20:48Às vezes, não tem nem como ser transferido, né?
20:50E aí, eles disseram que sim. Aí, eu entrei com a ação judicial, que, nesses casos, não tem como esperar.
20:55Como é que você vai fazer uma reclamação lá em ANS pra esperar 10 dias outros? Não existe.
20:59Nesses 10 dias, o paciente já morreu.
21:00Não existe. Aí, eu dei entrada no plantão judiciário e, graças a Deus, quando eu acordei de manhã liminar, já
21:05estava lá.
21:06Foi muito rápido. Foi muito, assim, graças a Deus, deu certo.
21:11E aí, eu entrei com a ação contra o hospital e contra o plano.
21:14O plano pra garantir e o hospital pra não tirar ele de lá.
21:19Perfeito.
21:19Né? E deu certo.
21:21Doutora, pra gente encerrar, e eu acho que foi muito proveitosa as informações aqui discutidas e que a senhora passou
21:29pros nossos, pras pessoas que nos assistem,
21:33que mensagem a senhora gostaria de deixar pra quem está enfrentando um problema relacionado à saúde e que está aflito,
21:42está, não sabe como agir, enfim, o que fazer?
21:45É, eu tenho três frases, assim, que eu costumo falar, né, quando eu converso sobre esse assunto.
21:53É, pra pessoa não aceitar o não como resposta, né?
21:58Nunca aceite o não.
22:00Às vezes, a gente está desesperado, a pessoa está desesperada e não consegue raciocinar.
22:06Recebe o não e fica por isso mesmo e deixa eles fazerem o plano ou o Estado, quando se trata
22:14de SUS, fazer o que eles acham que tem que fazer.
22:17Não aceitar o não e é ir atrás dos seus direitos, né?
22:20Buscar informação pra não, às vezes, a gente perder um paciente, uma vida por falta de conhecimento.
22:28É ir atrás, né?
22:29A outra, que eu sempre falo, se documentar.
22:34A pessoa precisa documentar tudo, uma ligação pro plano, tudo isso faz diferença numa ação judicial.
22:41O relatório médico e a negativa por escrito tem que ter, obrigatoriamente.
22:47O relatório médico tem que estar bem fundamentado, né?
22:51Perfeito.
22:51Então, assim, sem documentação, a gente não consegue fazer nada num processo, né?
22:57Se eu não tiver prova, é a mesma coisa que nada.
22:59Até mensagem de WhatsApp trocadas, né?
23:02Tudo, tudo é relevante.
23:04Tudo serve, isso.
23:04E uma outra frase que eu diria é pra pessoa não esperar, né?
23:09O câncer não espera, a doença não espera, a vida não espera, não dá tempo de esperar, né?
23:16É correr atrás do que se a pessoa não tem condições de pagar um advogado, procurar uma defensoria pública.
23:24Existem formas no Ministério Público, não é só, né?
23:28É claro que um advogado especialista na área da saúde já sabe onde tem que ir, né?
23:34Mas, se não tem condições, é procurar os seus direitos, mas não esperar, porque a vida não espera.
23:40Especificamente quanto a hospitais públicos, nós sabemos que há uma grande deficiência, né?
23:46Ou pelo menos é o que se fala, de leitos, principalmente pra pessoas de UTI e que precisam ficar internadas
23:53e tal.
23:55Como proceder?
23:56Eu já vi pessoas que ficam na UPA e a UPA fica tentando transferência e o paciente precisa de uma
24:09medicina especializada que não tem na UPA.
24:14Todos nós sabemos disso, que geralmente não tem.
24:17Como proceder nesses casos?
24:20Justiça também?
24:21Também, justiça, eu tenho várias ações de pedido de leito, né?
24:25A burocracia, a dificuldade é conseguir o encaminhamento.
24:31O que a UPA peça para.
24:34E a documentação.
24:34Tem até um número de controle.
24:36É o que é o CISREG, é o CIS.
24:39Conseguir isso é difícil e a gente precisa.
24:41Até os próprios juízes, eles pedem que se não tiver esses números específicos, né?
24:47Que um é do estado, o outro é do município.
24:51O paciente sendo encaminhado para algum hospital, ou do município, ou do estado.
24:56Então, é gerado um código.
24:57Ele tem que provar que está na fila de espera e que não pode ficar na fila de espera ante
25:02a necessidade.
25:03E a outra dificuldade é o laudo.
25:07O laudo médico, né?
25:08Porque, por mais que peça, às vezes não está escrito pelo médico, solicitando a transferência.
25:15Tem até receio de escrever, né?
25:17Porque pode ser penalizado ou achar que pode ser penalizado.
25:21Exatamente.
25:22E aí, se você vai com um médico particular, já diz que não serve, porque tem que ser do hospital
25:27público.
25:27Exatamente.
25:28Então, essas ações para conseguir leito contra o SUS também é bem delicada.
25:33Precisa de ter prova robusta, né?
25:35Isso.
25:36E umas provas bem específicas.
25:39É bom os nossos telespectadores saberem que é muito importante ter esse número,
25:46que a UPA, ou o posto, ou seja lá um outro hospital que não tem condições de atender, peça o
25:53leito.
25:54Isso.
25:54Que é a regulação, né?
25:56Que ele chama a regulação.
25:57Tem que estar encaminhado já.
25:59Se não tiver, aí não consegue.
26:03Doutora Grace, foi um imenso prazer tê-la aqui com a gente.
26:07Prazer foi todo meu.
26:08Pra falar de um tema tão importante.
26:10Sim.
26:11E eu espero que a senhora volte novamente.
26:14Com certeza.
26:15Pra gente continuar esse bate-papo.
26:18E conforme as inovações forem ocorrendo sobre o tema,
26:22sempre que a senhora tiver alguma novidade e quiser vir conversar com a gente,
26:26as nossas portas estão abertas.
26:28Muito obrigado.
26:29Muito obrigada, Raul.
26:30O prazer foi todo meu.
26:34Obrigado.
26:35Obrigado.
26:36Obrigado.
26:37Obrigado.
26:38Obrigado.
26:39Obrigado.

Recomendado